Eram bons os tempos de cópula sobre as árvores escaldantes do mundo abaixo.
Era o pecado, o sabor, a dor e o prazer, o escondido, o auge carnal e animal.
Mas leis se tornam brandas.
Perdeu-se o vigor, perdeu-se o tabu, perdeu-se o segredo, o medo, e o discreto.
Perdeu-se a intimidade, o calor, o vigor, e sobretudo o vigor.
Vieram Marqueses, alguns sádicos, outros não, vieram os indianos e suas posições e oposições fisiológicas.
Vieram os 10, vieram a tona.
Veio a televisiva, veio a digital, mundial, interracial, e completamente animal, completamente normal.
Vieram piores ruindades, vieram japoneses, e o império Chan só continuou algo que já viviva no sétimo de todos os submundos.
Vieram animais, de grande, médio e até pequeno porte.
Vieram mortos, objetos inanimados, como passivos e ativos.
A Graça não resistiu, não permitiu, que todo aquele mundo ficasse por debaixo, por de fora.
A Música brincou, espernenou, perguntou, e explicitou aquilo que não era, e que sempre foi.
E se transformou, do que todos ouviam e não falavam, para o que todos que falam mas nunca ouvem.
O ranger de camas, o roçar de pernas, o calor de dentro - e de fora - que criou para sempre, e muito mais, que se reproduz eternamente.
A vida, o sentimento, que antes primordais, foram deixados para trás.
O essencial, o primordial, o alimentar, o monstro Social.
A questão de disputa, que virou normal, a questão da besta, que virou imperial.
Que virou divisão, entre loucos e sãos.
O que por macacos não podia ser visto, ouvido e falado.
Se transformou no que definia macacos como homens ou viados.
Como Deuses ou criados.
Como Vidas ou mortes.
Dividos entres prazeres e dores.
E a divinização do Pecado, que transpassa a todos, e inclusive a mim.
Deixou marcas que não poderão ser desfeitas.
Mas que me deixam feliz, por ser escória, por ter memória.
Por estar debaixo e viver algo que entra em colapso.
O dever e poder que me dão a escolha certeira, a escolha da vida, a escolha do ano.
Pois mais vale um canarinho na mão, e eternamente ter esta mão,
Do que duas andorinhas, que sozinhas voando, não fazem nem inverno, primavera, nem outono, nem verão.