terça-feira, 10 de agosto de 2010

Vidão

ôooo
ô ôooo

ô Vidão
que não era assim no sertão
que acordava as 6 pra ganhar meu pão
e viver na miséria dessa vida de cão

ô Vidão
que agora eu só fico no bem bão
não me arrasto mais pelo chão
não tem mais fila nem lotação

ô Vidão
que agora a rotina é porreta
eu só mamo nas teta
e antes de dormir ainda como ostra.

domingo, 18 de julho de 2010

Texto_Longo_Colado - Capítulo 9

Uma fumaça colorida se embrenhou no meio do negro mar de desmaio de Marcos.
Aos poucos as cores tomaram formas, ganharam sombras e viraram coisas.
Marcos estava desperto, e era isso que gritava o menino que estava ao seu lado.

Logo apareceu uma mulher: negra, alta, com longos cabelos agrupados em tubos da grossura de dedos. Suas roupas, que eram poucas e em muitas cores, lhe conferiam um certo ar selvagem, animal. Marcos se sentiu num mundo perdido, sem civilização. Aquela mulher com aparência de guerreira Zulu lhe inundou de medo, e depois de alívio.
E seus pensamentos sobre qual parte da África podia ser aquela foram interrompidos pela conversa dos selvagens a sua frente.

- E aí Natasha? Ele acordou?
- Acho que sim.
Você pode me ouvir?

Acho que sim, disse Marcos como se fosse um desfiladeiro que faz eco.

- Ótimo. Ficamos preocupados com você. Aparentemente ingeriu um monte de Pedras-de-Leite, podia ter morrido.
Foi o que respondeu a guerreira Natasha.
O que fez Marcos pensar se havia alguma tribo, em algum país africano colonizado por portugueses, onde as pessoas tinham sotaque de pernambucanos.

- Dêm um pouco de água pra ele, disse Natasha pros outros que estavam a sua volta, e um pouco de comida também.

Marcos sorriu e perguntou, meio envergonhado, para a mulher que acabara de dar as ordens:
- Onde estamos?

Natasha retribuiu o sorriso e respondeu:
- Estamos na Tribo, na Floresta.

Marcos achou estranho que as duas últimas palavras tivessem sido escritas com iniciais em caixa alta. Em que tipo de universo estamos onde só existe uma tribo e uma floresta?, pensou.
Mas desistiu de perguntar exatamente isso e reformulou sua pergunta:
- Que floresta?

E a resposta não podia confirmar mais os seus pensamentos:
- Na única que existe por aqui ué!

Marcos não se deu por satisfeito e continuou:
- Ok, e onde fica essa floresta?

E como se fosse a conversa mais natural do mundo Natasha respondeu:
- Ora, exatamente aqui ué.

Marcos então percebeu que perguntar sobre onde ele estava não fazia o menor sentido, e então resolveu mudar de tática:
- Eu estou na ilha de Lost? Você sabe, aquele seriado que onde as pessoas acordam no meio de lugar nenhum, não fazem coisa com coisa, e no final você entende menos ainda.

Natasha deu uma risada gentil e lhe respondeu em tom acalentador:
- Olha, de certa forma isso é uma ilha. Mas você não está perdido, na verdade, muitos aqui pensam que nós fomos achados.

*-*-*-*

domingo, 11 de julho de 2010

Pululantes do Tártaro

Eram bons os tempos de cópula sobre as árvores escaldantes do mundo abaixo.
Era o pecado, o sabor, a dor e o prazer, o escondido, o auge carnal e animal.
Mas leis se tornam brandas.

Perdeu-se o vigor, perdeu-se o tabu, perdeu-se o segredo, o medo, e o discreto.
Perdeu-se a intimidade, o calor, o vigor, e sobretudo o vigor.
Vieram Marqueses, alguns sádicos, outros não, vieram os indianos e suas posições e oposições fisiológicas.
Vieram os 10, vieram a tona.
Veio a televisiva, veio a digital, mundial, interracial, e completamente animal, completamente normal.
Vieram piores ruindades, vieram japoneses, e o império Chan só continuou algo que já viviva no sétimo de todos os submundos.
Vieram animais, de grande, médio e até pequeno porte.
Vieram mortos, objetos inanimados, como passivos e ativos.

A Graça não resistiu, não permitiu, que todo aquele mundo ficasse por debaixo, por de fora.
A Música brincou, espernenou, perguntou, e explicitou aquilo que não era, e que sempre foi.
E se transformou, do que todos ouviam e não falavam, para o que todos que falam mas nunca ouvem.

O ranger de camas, o roçar de pernas, o calor de dentro - e de fora - que criou para sempre, e muito mais, que se reproduz eternamente.
A vida, o sentimento, que antes primordais, foram deixados para trás.

O essencial, o primordial, o alimentar, o monstro Social.
A questão de disputa, que virou normal, a questão da besta, que virou imperial.
Que virou divisão, entre loucos e sãos.

O que por macacos não podia ser visto, ouvido e falado.
Se transformou no que definia macacos como homens ou viados.
Como Deuses ou criados.
Como Vidas ou mortes.
Dividos entres prazeres e dores.

E a divinização do Pecado, que transpassa a todos, e inclusive a mim.
Deixou marcas que não poderão ser desfeitas.
Mas que me deixam feliz, por ser escória, por ter memória.
Por estar debaixo e viver algo que entra em colapso.
O dever e poder que me dão a escolha certeira, a escolha da vida, a escolha do ano.

Pois mais vale um canarinho na mão, e eternamente ter esta mão,
Do que duas andorinhas, que sozinhas voando, não fazem nem inverno, primavera, nem outono, nem verão.

sábado, 10 de julho de 2010

Texto_Curto_Colado

Márcio era um homem comum.
Márcio estava com sono e pegou seu avião.
Márcio sentou na última poltrona, no cantinho, e dormiu.
Quando Márcio acordou ele estava em seu destino.
Márcio não foi parar num lugar estranho com bichos coloridos, grama artificial e luz eletromagnética.
Márcio não era especial.
Marcos também não.
Mas o Marcos se fodeu mesmo assim.

domingo, 4 de julho de 2010

Texto_Longo_Colado - Capítulo 8

A floresta, como toda boa floresta, era cheia de árvores.
Grandes, pequenas, algumas tão largas que nem 10 homens poderiam abraçar, outras mais finas que os braços abraçantes. Mas o que mais chamava a atenção eram as cores.
Marcos nunca estivera numa floresta antes, talvez fosse só isso, ou talvez de fato aquela floresta fosse excepcionalmente colorida. As árvores tinham em todos os tons: claros, escuros, mais amareladas, mais avermelhadas.
E os pássaros, que se percebia quando voavam, tinham em todas as cores, bem vivas, como uma passeata do movimento gay.
E esse foi o ponto alto do passeio, até Marcos encontrar pegadas - que mais pareciam mãos - bem a sua frente.
Aquilo lhe deixou bastante assustado.
A idéia de pessoas, andando no meio daquela mata, de cabeça pra baixo era completamente assustadora pra ele, bem mais do que a simples idéia de haver pessoas no meio da mata.

Marcos se abaixou e foi seguindo devagarzinho a trilha da 'mãogadas' - termo que ele acabara de inventar - até uma moita que se mexia.
Ele rapidamente pula por cima da moita.
E no meio dos gritos e saltos enxerga uma massa disforme rosa. Depois de se acalmar um pouco ele percebe que se trata de um simples chimpanzé, com pelos cor-de-rosa.
Agora, isso sim é bem gay!, ele pensa.
O macaco, já mais calmo se aproxima e tenta fazer contato, depois corre em direção a mata, e marcos, esperando descobrir algo, vai atrás.

Logo à direita da segunda árvore ele encontra uma comunidade de chimpanzés, todos de cores vivas e berrantes, que não se assustam nem um pouco com a sua presença. Todos continuavam comendo o que pareciam pedras que eles catavam do chão. E foi nessa hora que Marcos lembrou o quanto estava faminto, já que não comia nada desde o capítulo 1.

Assim, não vendo mal nenhum no ato (ele ainda não estava pensando direito), decidiu fazer como todos os outros macacos e comer uma dessas pedrinhas espalhadas no chão. Eram esbranquiçadas, com aspecto meio leitoso, mas tinham gosto de framboesa e Marcos resolveu pegar mais algumas. E pouco a pouco mais coloridas começaram ficar as coisas, e cada vez mais brilhantes também, e quando tudo parecia ofuscantemente branco, Marcos sentiu uma súbita falta de ar e desmaiou.

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sexta-feira, 2 de julho de 2010

Texto_Longo_Colado - Capítulo 7

Uma hora ou outra - como eu disse, não dá pra ter certeza - Marcos chegou até o muro.
E ao chegar ficou surpreso por não saber o que fazer em seguida. Ele já não sabia muito antes de chegar ao muro, mas como de fato não estava pensando direito, ele não pensou que tivesse que saber coisa alguma. E por isso ficou bastante assustado quando a idéia lhe ocorreu na cabeça.

E ficou mais assustado ainda quando percebeu que não tinha pensado antes que deveria saber alguma coisa. Talvez fosse o efeito dos últimos acontecimentos, do quais ele não sabia nada, que o tivesse feito parar de pensar em conhecimento. Ou talvez o seu cérebro tenha percebido automaticamente que ser sábio não fazia diferença nenhuma num mundo onde ele era a única coisa viva.

Mas o importante mesmo é que todo esse exercício de reflexão tinha feito ele ter uma idéia:
Ele tinha que passar o muro!
E como ele sabia muito bem, para passar muros você geralmente precisa de uma escada. Então pôs-se a cavar e construir uma escada (que mais parecia um montinho) de terra.

Ele cavou fundo o suficiente pra construir um monte de terra de 4 metros de altura, mas ainda assim não fundo o suficiente pra achar o final do muro.
Esse, pensou ele, deve ser o motivo pela qual não há nem minhocas por aqui.
E depois disso ele simplesmente subiu pelo montinho até chegar ao topo do muro.
Do alto do muro ele já podia ver o que havia do outro lado, uma imensa floresta, densa como tropical, e colorida como uma boate techno.

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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Texto_Longo_Colado - Capítulo 6

Marcos já andava há algumas horas, não saberia dizer quantas já que seu relógio tinha parado de funcionar, mas tudo o que via era grama e mais grama, um mundo infinito de grama.
Era grama suficiente pra alimentar todos os bois do mundo e ainda sobrar, pensou.
Mas de fato não havia bois por ali, nem nenhum outro tipo de animal. Em algum momento ele teve a idéia de examinar a grama mais de perto, e como constatou, nem insetos vivivam por ali. Nada de formigas, joaninhas ou louva-deus.
Também não haviam pássaros no céu, apenas nuvens. E como Marcos acabara de perceber, aparentemente a iluminação não mudava também, como se o sol não tivesse andado nada todo esse tempo.

E por falar em sol, ele também não estava presente, a sensação era a de que eles estive escondido por trás das nuvens, mas embaladas pela leve brisa elas se moviam rápido, não revelando nada por detrás.
A brisa inclusive era a única coisa que emitia som por ali, quando batia na leve relva e a fazia chacoalhar.
A brisa, e os seus passos que agora tinham parado.
Não fazia muito sentido continuar, ele pensava, quanto mais eu ando, mais grama eu vejo, e nem mesmo sei em qual direção estou andando.

E quando decidiu sentar no chão e descansar ele avistou, bem de leve, quase apagada, uma fina linha branca no horizonte.
E disparou em sua direção, apenas até chegar perto o suficiente pra perceber que era apenas uma parede, perfeitamente lisa e perfeitamente branca, como a que ele havia deixado pra trás há algumas horas.
Estou andando em círculos, ele pensou. E depois ficou se indagando se era certo falar em círculos quando ele teria rodado no máximo um círculo.
Depois conjecturou que seria impossível ter andado um círculo inteiro, o máximo que ele poderia ter feito era ter andado meio círculo.

E tão imerso ele estava em seus pensamentos que quase não se assustou quando viu uma pequena ave vermelha voando nos céus acima da sua cabeça.
Mas logo tratou-se de ficar bem espantado e correu na direção em que ela voava.
E ela voava em direção ao muro.
Ora, pensou ele com calma quando ela passou pro outro lado, se há aves por lá, então deve haver pizzas também.
Porque apesar de estar pensando com muito calma, ele não estava pensando claramente.

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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ode ao Universo

Volte Sol, e seja meu companheiro
Volte Lua, e seja minha amante

Voltem estrelas, e sejam os meus sonhos
Volte Mundo, e seja a minha vida

Mas não volte tempo,
e também não se vá

Fique, e seja meu...
Seja Meu e Eterno.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ode a Monetariedade

Não amo ninguém
amo a quem me convém
Amo minhas doletas, meus tostões, e meus vinténs

E quem,
vier com desdém
Prove que seu dinheiro não é por ti amado também

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Desabafo de Primata

Bons aqueles tempos de Mata.
Das plantas, dos galhos, das folhas.
Tempos que não voltam mais, que não tem mais espaço nesse mundo de gente como a gente.
E a gente diferente se adapta, flui pelo meio.
Em tempos de camisa e sapato, todo homem é um macaco.

***

Poema de Orangotango Bolinhavermelhanaboca.
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